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terça-feira, 14 de junho de 2011

6,5 bilhões de unidades

Recentemente, nós, seres humanos, ultrapassamos a quantidade de seis bilhões e quinhentos milhões de pessoas dividindo este planeta. Graças a uma indianazinha que nasceu no final do ano passado completando a marca. Pois bem, já que somos tantos, como nos preocupar com cada um? Que diferença faz se mais um japonês acaba de se matar neste exato instante? Ou quantos mais morrerão até eu terminar de escrever este texto ou você de lê-lo?

Sem falar na fome e na miséria de milhões que, como nós, foram concebidos neste mundo de deus e estamos aqui agora nos beneficiando e esgotando os seus recursos. Mas calma lá, este não é um texto mórbido e tampouco ecologicamente correto. Minha preocupação de desocupado é pensar a diferença, o individualismo, como ser diferente dos outros seis bilhões, quatrocentos e noventa e nove milhões novecentos e noventa e nove mil e novecentos e noventa e nove terráqueos? Haja criatividade!

Para agravar a situação somos conduzidos pela indústria de massa a pensar igual, fazer igual e ser igual. Quem nunca vestiu uma calça jeans que jogue a primeira pedra. Quantas pessoas se vestem de maneira igual, se movem de maneira igual e, pior ainda, pensam de maneira idêntica. Quem foi o primeiro e original indivíduo a desenvolver estes padrões universalizantes? Qual é a origem da gravata ou do laço do tênis? Se basta rir do que é diferente para sermos humanos, como já profetizou Bart Simpson, como negar nossa condição?

Penso que grande parte desta cultura do repetido se deve a mídia, mas ela é criadora ou criatura? Nos espelhamos nela e copiamos seus padrões, mas estes certamente foram inspirados e copiados de alguém nas ruas. Ela rouba a expressão singela do individualismo de alguém e torna o mesmo universal, unânime e até totalizante. O que dizer das tribos urbanas que tanto se esforçam para ser diferente e acabam todas tão semelhantes? E pior, existem aquelas que acham necessário agredir aquele que é um cadiquinho diferente.  

Ideia constrangedora: buscamos a igualdade ou a diferença? Tudo bem querer ser diferente, mas é errado querer ser melhor? Melhor por quê? Melhor em quê?  Outro tabu da sociedade moderna. Herdamos certa áurea do comunismo, ou até cristianismo, sei lá eu, que todos devem ser iguais, mas esta máxima foi invertida pelo lado perverso do liberalismo: “devemos ser melhores que os outros”. Competir, destacar-se, superar os seus iguais, eis o objetivo de tanta gente.

Enfim, para ser diferente, recentemente adotei o uso de suspensórios no meu visual. Não tenho a intenção de menosprezar ninguém. Escolhi o suspensório que não é uma peça revolucionariamente nova e tampouco bonita para suscitar o ciúme ou inveja dos outros. É feio, eu sei, mas fique a vontade para copiá-lo. Usar suspensório hoje em dia é fugir da hegemonia do cinto. Pelo menos até o dia em que voltarmos a ser maioria ou então o restart também aderir à moda. Certo é que até lá estaremos diversos, note: “estaremos” e não “seremos”. E quem não que ser diferente do padrão?

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