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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O partido do Café com Leite

Recentemente, pelos idos de 2009, o mundo assistiu à criação de um movimento que denota toda a onda de conservadorismo que ronda o ocidente judaico-cristão proto-democrático. Baluarte de ideias um tanto questionáveis, inclusive sob o prisma do respeito à individualidade, o “Tea Party” (Partido do Chá, em alusão ao episódio do Chá de Boston) representa uma seara de ervas daninhas que crescem a cada dia no solo estadunidense. Entretanto, o “uprising” dos afãs conservadores não ocorre apenas na terra do Tio Sam, tais ideias florescem também nas terras tupiniquins e, aqui, tem gosto de café com leite.
Nos tempos da nossa primeira velha República, dois importantes estados brasileiros impunham sua hegemonia política no plano nacional. Por mais que sejam complexos e questionáveis os arranjos feitos entre São Paulo e Minas Gerai naquela época, é fato que a proeminência política e econômica dos dois territórios contribuiu para que o famoso “café com leite” reinasse por um bom tempo no Catete.
Hoje em dia, após muitas lutas e traumas, diante de um horizonte que aponta para uma consolidação da democracia no país, os bebedores de café e leite continuam a aprontar. Apesar de não estarem tão articulados como outrora, representam uma verdadeira tragédia política, econômica e social para seus respectivos estados. Especializaram-se em peculato, uso ilícito do monopólio da força física, amordaçar a imprensa e outros tantos crimes que podem ser enquadrados até em homicídio. Pois bem, parece que querem se aproximar do gosto amargo do Chá de Boston.
Portanto, salvas as devidas proporções, estamos diante de um macroprocesso envolvendo estruturas parecidas em grandes países da América que, após uma experiência de mais de três séculos sob a égide do sistema escravista, não conseguiram “universalizar” o conceito de cidadania e garantir direitos básicos à população. O grande problema é que determinados setores de tais sociedades, detentores de uma gama variada de poderes, usam sua capacidade de mobilização de recursos para manter seu status quo, a qualquer custo.
Não se trata aqui de uma apologia ao pensamento socialista, comunista ou qualquer nome que os homens do chá e do café usam para alcunhar seus algozes. Antes de chegar à discussão da famigerada luta de classes é preciso garantir a refeição, o direito de ir e vir, à moradia e mesmo o direito à vida. Cabe ao Estado garantir tais prerrogativas. Enfim, é preciso repartir o pão antes mesmo de fazer o café da manhã ou o chá das 5:00 P.M.