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quinta-feira, 14 de março de 2013

A OBSCURA POLÍTICA POR TRÁS DA CORTINA DE FUMAÇA


          Para aqueles que pensam a religião e a política como assuntos que não devem ser discutidos, só posso pedir que parem por aqui. Digo isso porque penso de maneira diametralmente oposta. Os temas devem ser discutidos e relacionados, pois estão na base da história do ocidente judaico-cristão, da qual fazem parte o Brasil, toda a América Latina e grande parte do globo.
 Ontem, 13 de março, a Santa Sé “elegeu” um novo líder, que é líder político e religioso. Em meio a um conclave aos moldes medievais, 115 cardeais escolheram como sucessor do espertíssimo Bento XVI, o argentino Jorge Bergoglio. Ironicamente intitulado Francisco (só pode ser ironia), Bergoglio é acusado de ser conivente com operações da pesada ditadura militar que assombrou a Argentina entre 1976 e 1983. É claro que seria muito esperar que daquela turma saísse alguém de reputação ilibada, de todo modo é preocupante o fato do novo pontífice ser um latino-americano ligado a círculos políticos dos mais escusos que se possa imaginar.
 Tudo isso ocorre em um momento onde os governos sul-americanos – dentre eles a Argentina – debatem e deliberam sobre questões candentes na pauta dos direitos relativos às liberdades individuais (direito homoafetivo, aborto em alguns casos, política de uso de drogas, Ley de Medios). Ocorre também em um momento onde as crises internas à Igreja Romana se revelam cada vez mais agudas, tendo a perda de fiéis como uma das implicações mais preocupantes para a Santa Sé.
É aí que vem a pergunta, a escolha de um bastião do conservadorismo argentino para o cargo de líder máximo da Igreja seria coincidência? Creio que não. Essa escolha revela o embate entre sociedades, projetos políticos e instituições muito diferentes. De um lado, a Igreja Católica Apostólica Romana, uma instituição milenar, européia e conservadora, falida moralmente e visivelmente diluída em seu próprio interior. Do outro lado, a sociedade latino-americana que, apesar de todas as suas mazelas, aprende aos poucos a caminhar com as próprias pernas, debater e deliberar sobre seus próprios problemas, depois de séculos de colonização (católica), ditaduras (apoiadas por setores da Igreja) e opressão.
Diante da questão, política e religião se encontram, estão de mãos dadas, sobretudo em países de tradição ibérica, colonizados sob a ética (ou a falta dela) do catolicismo Romano e europeu. Nestes países, como Brasil e Argentina, a participação de grupos religiosos no cenário político é um fato incontestável e muito claro aos que tiverem a boa vontade de estudar um pouquinho de história. É claro que os projetos políticos articulados pelas hostes da Igreja não foram consensuais – talvez nunca tenham sido na história da instituição, pelo menos no Brasil. Por outro lado, constituem um fato e influenciam diretamente, para bem ou para mal, os cenários político, econômico e social de países fervorosamente cristão como os latino-americanos.
 Pelo jeito, a América anda muito assanhada, seus governantes estão passando dos limites. Aborto, por exemplo, só pode na Europa (inclusive na Itália). Enquanto isso, nos corredores do Vaticano, parece aumentar o número de adeptos das práticas pedófilas. “Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”... Seria esse um mandamento cristão escondido pela cortina de fumaça da Capela Sistina? 

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