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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

DA NATUREZA DOS PROBLEMAS SOCIAIS EM UMA TARDE QUENTE DE DOMINGO

Sentar-se na frente da televisão, em um domingo à tarde, no alvorecer de um semestre tropical quente e úmido, é um exercício de reflexão sobre a nossa condição, individual e coletiva, política e cultural, de participação em um processo de construção da cidadania, enquanto um sustentáculo estrutural do que ainda podemos chamar de Estado, e sociedade, nacional. No momento da hecatombe dominical que coroa o espetáculo da grande mídia, percebemos um mundo integrado por utopias digitais que, por sua vez, obstaculizam a viabilidade de avanço no que tange a uma mudança de rumos nos cenários político, econômico e social, bem como uma melhor compreensão dos processos históricos que englobam e compõem nossa difusa identidade cultural.
É triste perceber como o brasileiro é mal representado, tanto no que se refere a uma questão semiótica e imagética, quanto no sentido da opinião pública. Partindo da noção de que a programação ventilada pelos grandes conglomerados de telecomunicação carrega um discurso sobre o brasileiro e pretende ser portadora de algumas demandas deste mesmo povo, ao mesmo tempo em que pretende trazer algumas balizas formativas e informativas do que muitos querem chamar de realidade nacional, o cenário é desolador.
No plano das questões sócio culturais, o Brasil parece rir de si mesmo a todo tempo e tem-se a ideia de uma nação unida sob a bandeira do jeitinho, modo de vida transcendente e inquestionável. O discurso que subjaz a este jeitinho reproduz preconceitos e hierarquias, além de legitimar espaços de poder e dominação que reproduzem preconceitos e desigualdades históricas evidentes. Relacionado a tal ode ao jeitinho, no plano das questões que envolvem opinião política e (auto) crítica, existe um mal estar generalizado com uma genérica e indecifrável corrupção, somado a uma omissão voluntária diante da necessidade de debates minimamente fundamentados e coerentes, que revelem as possibilidades reais de enfrentamento da natureza de alguns problemas sociais.
Entretanto, seria muito pedir um aprofundamento das reflexões sobre a natureza dos problemas sociais, sobretudo em uma tarde quente de domingo.  É melhor ficar no plano da filantropia mafiosa que emana do baronato midiático, turvando a possibilidade de reflexão e cimentando a imbecilidade com seu concreto de conservadorismo e falsa moral. Se pelo menos morássemos em um país rico e diverso, repleto de conflitos e, por isso mesmo, candente de um aprofundamento nas respostas para a compreensão de seus problemas. Mas, não, moramos em um reino de bobos da corte, de reis desnudos, de anemia política e de anomias (des)encantadas.


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